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ANGOLA E A NECESSIDADE DE REDUÇÃO DO DESEMPREGO PARA O CRESCIMENTO DO PIB

Atualmente (12/2018) qual é o percentual de angolanos com idade ativa e disponibilidade para trabalhar e não está trabalhando por não conseguir encontrar um emprego!? Não se sabe com exatidão. É bastante comum a procura massiva por um emprego nas demais esferas sociais, principalmente por jovens, muito por conta disto, a informalidade vem ganhando lugar ou espaço na nossa sociedade, a cada esquina tem sempre alguém vendendo ou querendo prestar determinado serviço, alguém “tentando se virar” para auferir determinado lucro de forma a manter sua subsistência e de sua família.

Conforme o último relatório sobre emprego que se tem até o momento (12/2018) publicado aos (09/2017), no final de 2015 Angola registava uma taxa de desemprego de 20%, valor que nos jovens entre os 15 e os 19 anos disparou para os 46%, segundo os dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Para ter acesso ao relatório clique aqui.

Atualmente (12/2018), a probabilidade de o nível de desemprego ter crescido é muito grande, pois, desde a publicação do último relatório, a economia não demonstrou bons resultados, é um facto ver o número de desempregados crescer em nossa sociedade. Conforme  a Made for minds, atualmente mais de 46% dos jovens não tem emprego. Conforme a distribuição percentual da população empregada, segundo o sector de atividade económica principal, agricultura, produção animal, caça, floresta e pesca representam 34,2%Indústria, construção, energia e água 8,1% enquanto o setor de serviços representa 57,1%.

Infelizmente, o setor que mais estimula o crescimento de qualquer economia (o setor de transformação ou industrial representa menos de 8% de empregabilidade). Vale lembrar que, países com bom grau de desenvolvimento possuem uma significativa base econômica concentrada no setor secundário, a exportação destes produtos também gera riquezas para as indústrias destes países, para se alcançar o desenvolvimento é necessário estimular a industrialização, de forma a gerar maior valor agregado para o país. Para saber mais sobre a necessidade de industrialização econômica em Angola clique aqui.
Abaixo segue o gráfico com a distribuição percentual da população empregada, segundo o tipo de trabalhador. (Pág. 22 do relatório, gráfico 17).

Conforme os dados, a soma dos trabalhadores que se encaixam nos agregados Temporário, Sazonal e Ocasional representa 39%, para maior detalhamento vamos ao que realmente significam estes termos.

Trabalho ocasional é o trabalho efetuado em períodos de acréscimo de atividade ou para substituir trabalhadores ausentes. (como o país vem enfrentado uma crise econômica nos últimos anos bem como não tem se visto acréscimo nas atividades, é lógico afirmar que o trabalho ocasional caio drasticamente).

Sazonalidade é um termo que diz respeito a tempo, um trabalho sazonal é aquele que só acontece em certas épocas, como o corte da cana, por exemplo, que só ocorre em alguns meses do ano. (estão considerando pessoas que vivem de “biscatos”, como empregados, se eu dependo de ofertas de trabalhos temporários que só acontecem 2 ou 3 vezes ao ano isto está mais para “biscato” do que emprego propriamente dito). Se considerarmos aqui o numero de pessoas em trabalhos formais (permanentes) ou com carteira assinada, o número de desempregados aumenta drasticamente.

Trabalhador temporário, são trabalhadores sem nenhuma estabilidade que surgiram mais recentemente, recebe um determinado ordenado para o cumprimento de um serviço, e ao término ocorre o vencimento do contrato.

Conforme a distribuição percentual da população empregada, segundo o tipo de remuneração (disp. norelatório pág. nº 22 gráfico 18), 26% da população empregada não é pagaWhat?, como assim? Também continuo sem entender, “é pra rir ou pra chorar”.

Normalmente quando um país passa por uma crise econômica, o consumo de bens e serviços tende a diminuir. Muitas empresas demitem funcionários como forma de diminuir custos para enfrentar a crise.

Quanto maior o índice de desemprego de uma sociedade, maior é a probabilidade desta entrar em uma recessão, um dos insumos a produção é a mão de obra, o excesso de mão de obra ociosa significa escassez de produção ou serviços, ou seja, para o caso especifico de Angola, a uma grande mão de obra disposta a trabalhar mediante uma pequena oferta de trabalho, em alguns casos, até os que se sujeitam a vender sua força de trabalho a um preço mais baixo encontram dificuldades para encontrar emprego.

Nenhuma economia desenvolve com um alto numero de pessoas desempregadas, e com Angola não será diferente, isto é um facto. O desemprego baixa o nível de produção bem como tira o poder de compra da população em geral, esta dinâmica acaba concentrando a renda proveniente da produção numa pequena classe de pessoas (os poucos empregados), desestimulando os demais setores e contraindo o efeito circular da renda e geração de riqueza.

Visto que o PIB representa a soma de tudo que se produz numa economia, dentro dessa mesma linha de pensamento, vamos agora associar o emprego ao consumo. Isto é, uma pessoa empregada possui condições de consumir ou pagar bens e serviços, ao passo que uma pessoa desempregada não está apta a este consumo.

Com mais pessoas trabalhando ou recebendo salários, haverá mais consumo na economia angolana. Esse aumento de consumo reduz os estoques das empresas, forçando-as a produzir mais. Ou seja, mais PIB – mais riqueza!

O crescente numero de pessoas desempregadas em Angola, bem como uma grande quantidade de pessoas com uma alta propensão marginal a consumir* de suas rendas, vem provocando uma redução no nível de consumo, investimento e poupança, e como consequência, uma desaceleração na atividade econômica.

O atual Governo objetiva alcançar um crescimento de 4,9% do PIB para o presente ano (2018), para tal faz-se necessário a observação de importantes variáveis para o alcance de tal meta, e com certeza a redução da taxa de desemprego deve ser prioridade para chegar próximo do valor estipulado, para sair da crise é necessário criar condições que estimulem o surgimento de novas vagas de emprego e empregadores.

*A propensão marginal a consumir mede quanto se incrementa no consumo de uma pessoa quando há um acréscimo em sua renda disponível em uma unidade monetária. Em geral, quanto mais baixo é o salário maior é a propensão marginal a consumir da renda disponível, o que consequentemente reduz o nível de poupança.

Crédito:
Referencias incluídas no decorrer do texto!
Por Quing. Contacto: quing777@gmail.com

Ultima atualização: 14/12/2018

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